Aula nº 19 - "Manobras na Casa Branca"
Realizado por Barry Levinson em 1997, Manobras na Casa Branca (Wag the Dog) é um filme satírico protagonizado por conhecidos actores como Dustin Hoffman (Stanley Motss), Robert de Niro (Conrad Brean) e Anne Heche (Winifred Ames).
A guerra com a Albânia pareceu-lhes ideal para distrair as atenções do escândalo sexual que envolvia o Presidente, até porque, tal como foi dito no filme “recordamos os slogans mas não as guerras”. Trata-se aqui de inventar a realidade, de recorrer a manobras de diversão num jogo que é levado até às últimas consequências.
A dimensão de uma guerra não pode ser comparável à dimensão de um escândalo sexual. Conrad Brean sabia perfeitamente que um acontecimento destes iria distrair as atenções do povo americano em vésperas de eleições. Rapidamente o escândalo sexual saiu das primeiras páginas para dar lugar a notícias da guerra. A estratégia não poderia ser melhor…além do escândalo ter perdido o impacto, o Presidente levava o bónus de poder “restituir a paz” ao país.
Durante todo o filme o Presidente nunca aparece e a única decisão que toma é irrelevante e ridícula: a cor do gato que irá aparecer na manipulação televisiva. Esta subtileza é uma metáfora da sua incapacidade. O Presidente que não passa de uma imagem, de uma figura obediente aos seus “conselheiros de comunicação”.
Tudo estava a correr bem até ao momento em que a CIA descobriu que tudo não passava de uma manobra política. A guerra tinha acabado documentava um canal de televisão. Era agora necessário criar uma nova estratégia para o plano não ir por água abaixo.
Conrad Brean é o protótipo “spin doctor”. Ele tem a habilidade inegável de manipular políticos, a imprensa e, acima de tudo, o povo americano. É discreto e leva a sério a sua função – é um “resolvedor” de todos os problemas que possam surgir ao Presidente.
O mesmo já não se pode dizer de Stanley Motss – apesar de todas as advertências que lhe haviam feito, ele queria o reconhecimento do seu trabalho. Mostra-se assim inconformado por o seu esforço ter sido atribuído a dois actores novatos na propaganda de campanha do Presidente e decide contar a verdadeira história, mas isso era impossível, por se tratar do mais puro segredo de Estado…
Este filme de ficção traz consigo uma inevitável comparação com o caso Clinton-Lewinski (escândalo Monicagate). No entanto, Levinson confirmou a ausência de um ataque directo à administração Clinton: “O filme não tem a ver com Clinton nem com nada de específico na sua administração. É mais sobre os media e a manipulação diária da realidade, o modo como as coisas são fabricadas, o que vai sendo cada vez mais sinistro devido aos avanços tecnológicos. Ver já não é crer.”
A manipulação a que assistimos neste filme não é comparável àquela que vimos no filme Boris. Trata-se de uma manipulação grave, premeditada por um spin doctor (neste caso ficcional).
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