28.5.06

Aula nº 15 - Campanha Negativa

Numa campanha negativa o candidato não se limita apenas a reforçar as suas qualidades, mas também se empenha a dizer mal do adversário.

Características de Campanha Negativa:

As campanhas negativas são ainda uma novidade em Portugal, o mesmo não se pode dizer relativamente ao Brasil e aos EUA.

- Acusações (implícitas ou explícitas), insinuações, comparações, criação ou aparecimento de rumores.

- Cartazes e publicidade dirigida

- Insultos e dialéctica violenta (uma das armas da campanha negativa muito utilizada no Brasil)

Este tipo de campanha negativa só fideliza os votos das pessoas que já são desse partido, a não ser que se denuncie uma situação em concreto.


Nas últimas eleições legislativas assistimos em Portugal, pela primeira vez, a uma campanha negativa. Tivemos uma campanha eleitoral - promovida pelo PPD-PSD de Pedro Santana Lopes - marcadamente negativa e destrutiva.

(...) como jornalista a viver há 10 anos nos EUA e a acompanhar diariamente a realidade política americana, admito que fiquei bastante surpreendido com a crescente americanização da política portuguesa. O mimetismo é inescapável. Não estou aqui a falar do formato civilizado – a expressão não é minha – do debate, mas da forma como a campanha propriamente dita está a ser gerida. Os rumores e boatos, os ataques pessoais feitos por interposta pessoa, enfim toda a “campanha negativa”, são marcas inequívocas de uma importação do que de pior se faz na política americana. Exagero? Acredito que não. O próprio Pedro Santana Lopes admitiu isso mesmo ontem à noite durante o debate quando confrontado directamente por Sócrates em relação ao célebre cartaz da JSD: “As campanhas em que se fala dos adversários são hábito em todas as democracias, nomeadamente, na americana”, respondeu o ainda primeiro-ministro. Mas esta admissão é apenas a ponta do véu. Sócrates tem razão num ponto – nunca se assistira em Portugal a uma campanha de ataque sistemático ao adversário, onde mais de metade do esforço de propaganda do partido do governo faz referência directa às posições da oposição em vez de veicular as suas próprias ideias.


O rumor da homossexualidade de José Sócrates jogou-se na opinião pública, principalmente na comunicação social. Os media deram ao rumor um prestígio que na verdade ele não tinha e este foi utilizado como tema principal durante a campanha.


É verdade que sempre existiram boatos e rumores na política eleitoral portuguesa. Mas é também verdade que estes nunca tinham sido utilizados de forma tão deliberada e sistemática pela máquina de um partido.

Devem ou não os rumores serem desmentidos?

- Deve-se tentar passar despercebido e tentar que o rumor morra sozinho. O melhor é desprezar o rumor.

- Há quem diga que a melhor defesa é o ataque. Joe Napolitan defende que um político deve sempre responder e tentar defender-se de um rumor:

«si tu candidato está ganando con tranquilidad, y tú estás seguro de que el plan de tu campaña está bien deseñado que puede compensar las acusaciones del adversario (…) entonces quizá, quizá, puedas salir airoso ignorando a tu adversario. Pero yo aconsejo que no lo hagas» (in Salgado, Lurdes Martin, Marketing Político: Arte y Ciencia de la Persuasion en democracia», Paidós, Barcelona, 2002, pag. 236)


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