Aula nº 14 - Marketing Político e Marketing Eleitoral
Há quem diferencie marketing político de marketing eleitoral:
No entanto, uma campanha tem de ser permanente para ser eficaz. Actualmente, são raros os casos em que os últimos dias das eleições são determinantes para o partido que ganha. Por isso, o comportamento do político enquanto se encontra no poder é decisivo.
Antes de ganhar as eleições o político já está em campanha, demore o tempo que demorar.
“O conceito de “campanha permanente” é recente. Basicamente, traduz a ideia de que as campanhas de comunicação política não terminam com a vitória nas eleições. Alcançado o poder, o partido necessita, para manter-se nele, de utilizar as mesmas técnicas de comunicação e de criação de imagem que utilizou durante o período de confronto eleitoral”. (Loureiro, Vítor Manuel Gonçalves, Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores, Edições MinervaCoimbra, 1ª edição, Dezembro de 2005, p. 161)
Quatro áreas fundamentais do marketing político:
1. Estudos de Opinião (sejam sondagens, focus group…)
Sondagem – Os media tornaram-se grandes utilizadores de sondagens de opinião. Além das escolhas partidárias e da medida da satisfação que os governos e homens políticos colhem junto da opinião, os media costumam também promover e publicar sondagens acerca de comportamentos e questões controversas. As sondagens têm sempre uma margem relativa de erro e a sua interpretação exige o conhecimento exacto das condições em que foram realizadas para não se tirarem ilações indevidas dos seus resultados. (Rodrigues, Adriano Duarte, Dicionário Breve da Informação e da Comunicação, Editorial Presença, 1ª edição, Lisboa, 2000, p. 113)
"Actualmente, as sondagens são um dos instrumentos utilizados pelos políticos para, em cada momento, avaliarem ou perceberem o estado da opinião pública face a um determinado acontecimento, pessoa, decisão ou medida". (Loureiro, Vitor Manuel Gonçalves, Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores, Edições MinervaCoimbra, 1ª edição, Dezembro de 2005, p. 161)
Focus Group (grupos focalizados) – Junta-se um conjunto de pessoas, escolhidas sociologicamente, numa sala. Trata-se de uma amostra representativa da população.
2. Publicidade /Propaganda/merchandising
O cartaz e o outdoor, enquanto instrumentos de comunicação de massas, tornaram-se, ao longo dos tempos, grandes potenciadores da mensagem política. Páginas na Internet e os blogs dos políticos são também fundamentais para difundir as ideias de cada partido.
As canetas, t shirts e porta-chaves com o logotipo do partido ou a cara do político são também utilizados para incentivar o eleitorado ao voto.
3. Marketing directo
Os partidos escolhem como alvo principal os abstencionistas e os indecisos. Através de comícios, arruadas e últimas promessas, os líderes tentam conquistar mais alguns votos. Em época de eleições os políticos saem para a rua para terem contacto directo com os eleitores e as caravanas de automóveis passeiam pelas cidades a divulgar o respectivo partido.
4. Relações Públicas / Assessoria de Imprensa
Entrevistas, declarações programadas, reacções (reagir a tempo) – ocupação do espaço mediático.
A arte manipuladora do Soundbite:
Uma frase curta e citável que os outros repetem e que tem repercussões, a concentração de uma ideia numa frase-chave – todos os políticos gostariam de formular um soundbite na sua comunicação.
Exemplos de soundbites:
“To be or not to be”
"Delenda est Carthago"
"Falam falam falam falam falam falam falam falam falam falam pá, e não os vejo a fazer nada pá, fico chateado, concerteza que fico chateado pá"

Há tanta gente a disputar o espaço mediático, que os poucos que o conquistam também usufruem de pouquíssimo tempo (15 segundos no máximo) – ou eles desperdiçam ou aproveitam este tempo. Ser eficaz é quando o político consegue transmitir a sua mensagem.
"Las exigencias del medio televisivo, en efecto, han impuesto un estilo «espectacular» también a la política, consistente en imágenes y discursos rápidos y de efecto" (Cavazza, Nicoletta, Comunicación y Persuasión, Acento Editorial, 1999, Madrid, p. 58)
"Y los spots, así como los discursos pronunciados en ocasiones oficiales por los políticos, estan cada vez más basados en eslóganes, fáciles de entender, memorizar y recordar" (Cavazza, Nicoletta, Comunicación y Persuasión, Acento Editorial, 1999, p. 59)
O marketing político ocupa-se de tudo o que diz respeito à imagem exterior do político. A reputação, os valores, a forma como se veste, a forma como mexe as mãos. Trata-se de uma arma muito forte que pode fazer o político ganhar as eleições, mas que não o pode manter se este tiver mais defeitos do que qualidades. "O sucesso de um político, na sociedade contemporânea depende diretamente da visibilidade pública e repercussão positiva de sua imagem no cenário público. Na prática do marketing político, toda e qualquer mensagem precisa ser meticulosamente planejada, isso se estende também ao discurso desde as palavras utilizadas, como a tonalidade destas, a gesticulação e expressão facial do candidato".
“Poder político e comunicação estão, cada vez mais, nos tempos que correm, indissoluvelmente associados, por via da força efectiva da opinião pública e do interminável aperfeiçoamento tecnológico no campo dos meios de difusão mediáticos. A esta realidade acrescem outras forças, todas associadas ao fenómeno da conquista e manutenção do poder, como é o caso do aperfeiçoamento das técnicas do marketing eleitoral e da utilização destes novos meios com a finalidade de fazer passar uma determinada imagem que facilite o fenómeno de identificação entre um candidato ou grupo político, e os eleitores” (Santos, Margarida Ruas dos, Marketing Político, edições CETOP, 1996, p. 137)
"Um dos factores que joga a favor do poder político, é o facto de ser difícil ao homem comum conhecer em profundidade a verdadeira personalidade e as reais intenções do líder político. A distância e o isolamento face ao público, por um lado, e o peso de que se revestem a autoridade e a importância do cargo, por outro, tornam impossível uma avaliação aprofundada que vá além das aparências. O poder faz reverter a seu favor esta impossibilidade, ocultando as verdadeiras intenções e agindo de acordo com necessidades e conveniências políticas. Importante é que o seu detentor aparente virtudes e qualidades geralmente aceites como positivas e adequadas, e que toda a acção política vise criar prestígio e boa reputação.” (Santos, Margarida Ruas dos, Marketing Político, edições CETOP, 1996, p. 140)
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