Aula nº 13 - Manipulação da Informação
Manipulação: Processo de dissimulação que consiste em enganar, fazendo crer em factos que não existem ou em opiniões contrárias àquelas que se professam efectivamente. A manipulação é uma das formas de coacção e de limitação da liberdade que joga com a dimensão cognitiva e afectiva da informação e tanto pode existir em regime políticos autoritários como democráticos. Os processos de manipulação tanto podem ter origem na propaganda política e nas estratégias publicitárias como na informação mediática. (Rodrigues, Adriano Duarte, Dicionário Breve da Informação e da Comunicação, Editorial Presença, 1ª edição, Lisboa, 2000, p. 83)
Mas nem sempre manipular é o mesmo que enganar. Existem casos mais soft em que manipulação pressupõe apenas mexer, alterar algo.
Quando existe um objectivo existe também uma estratégia que exclui aquilo que não interessa ou não convém. A informação é seleccionada tendo em conta a satisfação dos interesses de cada um. Por esta razão devemos partir do pressuposto que quase toda a informação que chega ao jornalista é construída, fabricada, manipulada.
Mas nem sempre manipular é o mesmo que enganar. Existem casos mais soft em que manipulação pressupõe apenas mexer, alterar algo.
Quando existe um objectivo existe também uma estratégia que exclui aquilo que não interessa ou não convém. A informação é seleccionada tendo em conta a satisfação dos interesses de cada um. Por esta razão devemos partir do pressuposto que quase toda a informação que chega ao jornalista é construída, fabricada, manipulada.
“Ao referir-se ao relacionamento entre os políticos e os jornalistas, Soares foca, uma vez mais, a sua experiência pessoal:
“ (…) não me isento de culpas no relacionamento com a imprensa. A autocrítica que faço é que, algumas vezes, como quase todos os políticos, não resisti à tentação de instrumentalizar a imprensa (…) Estava numa luta difícil, de vida ou de morte política. Foram empregues contra mim, muitas vezes, armas de grande eficácia e eu, evidentemente, procurava defender-me a atacar, utilizando o mesmo tipo de armas. Em momentos difíceis, fiz fogo com o material que tinha à mão. Nesse sentido, não me isento de culpas, que as tenho e grandes, em matéria de relacionamento com a comunicação social”. (Serrano, Estrela, As Presidências Abertas de Mário Soares – as estratégias e o aparelho de comunicação do Presidente da República, Colecção Comunicação, Edições MinervaCoimbra,1ª edição, Março de 2002, p. 109)
Para os protagonistas se afirmarem na comunicação social necessitam de uma boa estratégia de comunicação que, directa ou indirectamente, visa sempre a ocupação do espaço mediático. Só que este espaço mediático é limitado e finito. Existe sempre concorrência e há sempre protagonistas que querem ocupar este espaço disputado por muitos.
O espaço mediático é uma guerra, uma luta em que ganha quem tiver melhores argumentos. Mas alguém tem sempre de ficar de fora…
O que fazer para conseguir que o espaço mediático seja preenchido por mim e não por outros?
- Dar valor mediático às iniciativas
- Prender a atenção dos jornalistas, que não se limitam a recolher iniciativas com valor mediático já que estas também são inúmeras e o espaço não chega para todas.
Para contornar, ou ‘controlar’, os media – por definição independentes e poderosos nas democracias ocidentais, onde são o primeiro sinal da liberdade – o poder político cria estruturas e adopta condutas que, por um lado visam minorar os efeitos negativos sobre si exercidos pelo papel fiscalizador da comunicação social e, por outro, fazer passar nos diversos meios, as mensagens que lhe interessa enviar à opinião pública. Os recursos e as técnicas usados pelos governos ao serviço da sua imagem são cada vez mais sofisticados, acompanhando a evolução permanente das conquistas tecnológicas ou das ciências sociais e do ‘marketing’ político.
Trata-se de tentar influenciar a comunicação social na divulgação dos temas que convém aos governos ver noticiados e conforme o ângulo que lhes interessa. Por exemplo: ocupar os jornalistas com material ‘informativo’ capaz de os manter afastados da atenção a questões importantes, mas delicadas para o governo.
Quando um protagonista não quer que os jornalistas noticiem aquilo que eles querem noticiar recorrem às manobras de diversão definidas como uma forma de desviar a atenção dos jornalistas.
Podemos definir manobras de diversão como a criação de factos alternativos para diminuir o impacto de notícias negativas.
Mas para se concretizarem estas manobras de diversão torna-se fundamental que os protagonistas saibam antecipadamente as notícias negativas que irão ser divulgadas. Só assim é que é possível desviar a atenção para uma outra notícia.
Estas manobras de diversão funcionam como uma espécie de “cortina de fumo” que nos obriga a olhar para outro lado. Como o protagonista não consegue controlar o espaço mediático tanta manipulá-lo com recurso a estas manobras de diversão.
Pseudo-acontecimentos baseiam-se numa (falsa) realidade criada por alguém que tem nisso interesse. Trata-se de algo artificial que se destina a captar a atenção.
Os pseudo-acontecimentos são o grau máximo de sofisticação que os protagonistas têm para que os jornalistas lhes prestem atenção.
Há uma realidade construída (os factos são inventados, não são reais) em função de criar notícias positivas com valor mediático.
Exemplo: Sondagens de opinião – podem ser criadas espontaneamente e constituem notícia.
“Boorstin introduziu o conceito de pseudo-acontecimento para definir várias situações desenvolvidas por jornalistas, políticos e relações públicas para criar um evento que, em condições normais, não se produziria. Trata-se de um acontecimento que não é espontâneo, mas que surge porque alguém o planeou, ou encorajou, para que fosse noticiado.
A sua relação com a realidade é ambígua, e em muitos casos serve para dar um estatuto de «real» ao que é fictício”. (Santos, José Rodrigues dos, Comunicação, Prefácio, Outubro de 2001, p. 105)
“No último meio século, uma crescente proporção da nossa experiência, do que lemos, vemos e ouvimos, provém de pseudo-acontecimentos, queixou-se Boorstin” (Santos, José Rodrigues dos, Comunicação, Prefácio, Outubro de 2001, p. 106)
Exemplo de Pseudo-Acontcimento: As Presidências Abertas de Mário Soares
“A Presidência Aberta é um “pseudo-acontecimento”, no sentido em que Boorstin definiu esse conceito. Com efeito, a Presidência Aberta não é um acontecimento espontâneo. Surge porque foi planeada. Foi criada para ser coberta pelos media, como Soares repetidamente afirmou. O seu sucesso mede-se pela amplitude da sua cobertura e pela capacidade de fazer passar os enquadramentos desejados. Soares considerava, aliás, a presença dos órgãos de comunicação social componente essencial da iniciativa. (…) Ora, a Presidência-Aberta é um acontecimento intencional. Constituiu uma tentativa de criar um acontecimento para dar visibilidade ao Presidente que queria ser notícia (para informar o público de que estava pessoalmente preocupado com a vida das populações e com os seus problemas, dado que não tinha poderes para resolver esses problemas)”. (Serrano, Estrela, As Presidências Abertas de Mário Soares – as estratégias e o aparelho de comunicação do Presidente da República, Colecção Comunicação, Edições MinervaCoimbra,1ª edição, Março de 2002, p. 130, 131)
“ (…) Soares atribuía aos jornalistas uma função de “guardas” do regime democrático com o dever de informarem os cidadãos e vigiarem o regime. Contudo, Soares não confiava muito no profissionalismo e na independência dos jornalistas. Na prática, utilizando as suas capacidades de comunicador, via os media noticiosos como instrumentos úteis à sua estratégia, criando, frequentemente, ocasiões para intervir publicamente através de declarações e actos que lhe proporcionassem apoio público e uma imagem positiva. A sua estratégia centrava-se, essencialmente, na criação de situações mediáticas e de “pseudo-acontecimentos”, para atrair os media noticiosos e, através deles, divulgar as suas mensagens”. (Serrano, Estrela, As Presidências Abertas de Mário Soares – as estratégias e o aparelho de comunicação do Presidente da República, Colecção Comunicação, Edições MinervaCoimbra,1ª edição, Março de 2002, p. 116, 117)
Quase que os jornalistas são tornados reféns da notícia que alguém pretenda que seja transmitida. Isto porque existem muitas formas dum protagonista conseguir que os jornalistas publiquem.
O que é publicado faz muitas vezes parte de um processo complexo em que o jornalista funciona meramente como mediador. O jornalista acaba por colaborar na estratégia quando é empurrado para publicar uma notícia que não tem valor ou mesmo que ele não gostaria de publicar.

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