Aula nº 11 - A inevitabilidade da mentira e a ética na assessoria de imprensa
As estratégias de comunicação são cada vez mais complexas, mais planejadas e subtis. Isto faz com que os assessores de imprensa tenham muitas vezes a tendência para tentar enganar os jornalistas em prol do favorecimento do seu cliente.
O facto das relações públicas serem uma actividade desregulamentada incide directamente nesta problemática: o código que diz respeito à actividade não prevê sanções e, desta forma, ainda que não seja cumprido ninguém é penalizado por isso.
O Código de Ética existente na APECOM apesar de bem intencionado é ao mesmo tempo inútil pelo facto de cada um impor os limites a si próprio. Se os limites forem ultrapassados a impunidade predomina porque também não existe nenhuma forma de controlo nem nenhum local específico onde apresentar uma queixa.
O Código de Ética existente na APECOM apesar de bem intencionado é ao mesmo tempo inútil pelo facto de cada um impor os limites a si próprio. Se os limites forem ultrapassados a impunidade predomina porque também não existe nenhuma forma de controlo nem nenhum local específico onde apresentar uma queixa.
O Código de Estocolmo afigura-se como uma espécie de bíblia para as Relações Públicas.
Em Portugal, as Relações Públicas caracterizam-se por uma contratação precária (a contratação a recibos verdes, não permite a passagem para o quadro da função pública) e por relações de confiança pessoal extremamente importantes no contexto político.
“ Mais do que razões de natureza política ou partidária, mais do que a possibilidade de estar na esfera do poder ou as condições monetárias, foram sobretudo lógicas de confiança e admiração pessoal que estiveram na base da decisão dos assessores aceitarem o lugar.
Essa relação manteve-se ao longo de todo o exercício e teve, como consequência, que no momento em que o político foi afastado do governo, na maior parte dos casos, o assessor também se desvinculou do lugar. Isto significa que, na relação entre o assessor de imprensa e determinado político, a dimensão pessoal assumiu enorme importância: os assessores manifestaram sobretudo uma fidelidade ao político, à personalidade a quem prestavam directamente assessoria, só depois ao executivo no seu conjunto e, por último, ao partido que sustentou o governo no Parlamento”. (Loureiro, Vítor Manuel Gonçalves, Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores, Edições MinervaCoimbra, 1ª edição, Dezembro de 2005, p. 183)
Estas duas condições em conjunto levam, mais tarde ou mais cedo à inevitabilidade da mentira na assessoria de imprensa. Isto porque: se os assessores mentirem não lhes acontece nada, mas em contrapartida, se não mentirem são despedidos. Verifica-se assim que, a maior parte das vezes a confiança pessoal suplanta-se à competência.
“Estamos, de novo, perante o problema da relação dos assessores, enquanto fontes de informação, com os jornalistas. Essa relação não funciona só num sentido, dos assessores para os jornalistas, mas também em sentido inverso. Algumas vezes os jornalistas procuram ter acesso a outras informações ou confirmar dados que dispõem provenientes de outras fontes e que, em alguns casos, podem pôr em causa a imagem do político ou não lhes ser favoráveis se forem divulgados. Nestas situações, cabe aos assessores impedir que essa informação seja conhecida ou suavizar a forma como é exposta ao público. “Ele acreditava que os três princípios do seu trabalho eram dizer a verdade, dar às pessoas uma janela para a Casa Branca e proteger o presidente, mas o último imperativo, muitas vezes, tornava difícil cumprir os dois primeiros”. Howard Kurtz, expõe desta maneira um dos dilemas que o porta-voz do Presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton enfrentava no exercício das suas funções nomeadamente na sua relação com os jornalistas” (Loureiro, Vítor Manuel Gonçalves, Nos bastidores do jogo político. O poder dos assessores, Edições MinervaCoimbra, 1ª edição, Dezembro de 2005, p. 147)
Duas conclusões retiradas por Vítor Gonçalves acerca de assessoria de imprensa:
Mente aos jornalistas? NÃO
Sabe se os seus colegas costumam mentir aos jornalistas? SIM
Chega-se portanto à conclusão de que não existem condições para não mentir quando é preciso.
A mentira na assessoria de imprensa poderá resolver um problema a curto-prazo mas não deixa de ser perigosa porque, mais tarde ou mais cedo, pode ser descoberta e nestes casos as consequências podem ser ainda mais desastrosas.
Como detectar a mentira:
1ª Fase: A mentira começa logo quando o assessor manda dizer que não está (“Não estou”)
2ª Fase: Não responde (“Amanhã ligo”)
Fase Final: Confrontado com a mentira nega (“Isso é mentira”)
A mentira poderá não ser sistemática, mas é inevitável em determinadas ocasiões
Verifica-se na maior parte dos casos, que quanto mais desagradável é a notícia mais incompatibilidade de interesses existe. A função do assessor de imprensa é diminuir o número de notícias negativas relacionadas com o seu cliente.
Verifica-se na maior parte dos casos, que quanto mais desagradável é a notícia mais incompatibilidade de interesses existe. A função do assessor de imprensa é diminuir o número de notícias negativas relacionadas com o seu cliente.
Podemos dividir os assessores de imprensa em dois tipos: os assessores mentirosos (não no sentido de mentira sistemática mas sim quando esta for mesmo inevitável) e os assessores que omitem.
A omissão é para alguns, uma forma de mentir e para outros uma forma de serem mais honestos (substituem um “sim” ou um “não” por um “não sei”).
Omissão: Mentira ou quase-verdade?
Aqui as opiniões dividem-se. Há quem considere a omissão como mentira e há quem a considere uma quase-verdade.
Não servindo ainda para que o jornalista use essa informação, o assessor pode dar a entender que este tocou num ponto que poderá ser verdadeiro e por isso cabe ao jornalista investigar, arranjar novas fontes…
É fundamental que os jornalistas percebam o perigo dos assessores "amigos". O assessor de imprensa quando contacta um jornalista está a fechar um plano de comunicação delineado para a obtenção de determinado objectivo.
Não se trata de um contacto amigo ou inocente, já que o mesmo envolve sempre determinado objectivo ou necessidade.
Assim, é fundamental a consciencialização, por parte dos jornalistas, de que existem actividades que se destinam a manipula-los (ex. assessoria de imprensa).
A informação que é dada pela assessoria de imprensa ao jornalista tem de ter valor-notícia. Deste modo, a estratégia é dissimulada pelo assessor de imprensa para enganar o jornalista.
Torna-se assim fundamental que os jornalistas adoptem uma atitude crítica e independente, mantendo a desconfiança como forma de cautela.
Desconfiar não significa recusar, significa que o jornalista deve ter a consciência que existem quase sempre interesses divergentes. É nestes casos, que o assessor mente ou omite. Isto não significa, porém que não surjam situações em que os interesses possam coincidir.
A omissão é para alguns, uma forma de mentir e para outros uma forma de serem mais honestos (substituem um “sim” ou um “não” por um “não sei”).
Omissão: Mentira ou quase-verdade?
Aqui as opiniões dividem-se. Há quem considere a omissão como mentira e há quem a considere uma quase-verdade.
Não servindo ainda para que o jornalista use essa informação, o assessor pode dar a entender que este tocou num ponto que poderá ser verdadeiro e por isso cabe ao jornalista investigar, arranjar novas fontes…
É fundamental que os jornalistas percebam o perigo dos assessores "amigos". O assessor de imprensa quando contacta um jornalista está a fechar um plano de comunicação delineado para a obtenção de determinado objectivo.
Não se trata de um contacto amigo ou inocente, já que o mesmo envolve sempre determinado objectivo ou necessidade.
Assim, é fundamental a consciencialização, por parte dos jornalistas, de que existem actividades que se destinam a manipula-los (ex. assessoria de imprensa).
A informação que é dada pela assessoria de imprensa ao jornalista tem de ter valor-notícia. Deste modo, a estratégia é dissimulada pelo assessor de imprensa para enganar o jornalista.
Torna-se assim fundamental que os jornalistas adoptem uma atitude crítica e independente, mantendo a desconfiança como forma de cautela.
Desconfiar não significa recusar, significa que o jornalista deve ter a consciência que existem quase sempre interesses divergentes. É nestes casos, que o assessor mente ou omite. Isto não significa, porém que não surjam situações em que os interesses possam coincidir.

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