17.1.06

Aula nº 9 - Assessoria de imprensa VS Jornalismo

Cada vez mais o assessor de imprensa é parte integrante da estratégia de comunicação e não apenas o seu difusor. É inocente a visão de que este apenas transmite a mensagem e não está envolvido na estratégia. Apesar de não ser responsável pela tomada de decisões e pela elaboração de objectivos (estas funções cabem ao dono da mensagem) o assessor de imprensa relaciona-se com tudo de uma forma cada vez mais comprometida.
Indiscutível é também a importância do jornalismo para dar credibilidade à mensagem de relações públicas.
O jornalismo é o campo de recrutamento preferencial para a assessoria de imprensa, isto porque o jornalista sabe como apresentar a informação para que esta seja notícia; sabe o que querem e o que pensam os jornalistas. No entanto, as actividades de assessoria de imprensa e jornalismo não podem ser exercidas simultaneamente. Existe um problema de incompatibilidade. Há um problema ético quando estas duas funções são conjugadas num curto espaço de tempo – esta situação pode conduzir a uma perda de isenção, ou mesmo à concorrência desleal.
No artigo 1º do Estatuto do Jornalista está presente que o jornalista não pode exercer ao mesmo tempo outra profissão – a acumulação não é permitida:

1 - O exercício da profissão de jornalista é incompatível com o desempenho de:

b) Funções remuneradas de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem, bem como de orientação e execução de estratégias comerciais;

Os jornalistas são, em geral, muito críticos relativamente aos seus pares que interrompem a profissão para exercerem funções de assessoria de imprensa. De facto, ser assessor de imprensa de uma personalidade ou instituição política, pressupõe um contrato, explícito ou implícito, entre assessor e assessorado, baseado em afinidades pessoais e políticas, que obriga o assessor a um dever de lealdade para com o assessorado.Ora, o contrato do jornalista é com os cidadãos e a sociedade, que esperam receber dele informação rigorosa e independente sobre o que acontece no mundo. Em troca da independência a que está obrigado, o jornalista é credor de confiança, credibilidade e autoridade, as quais lhe conferem uma legitimidade e um estatuto que o colocam acima de quaisquer interesses e inclinações, sejam eles de natureza pessoal ou política, respeitem a instituições públicas ou privadas.
A expectativa do público relativamente ao jornalista, é, assim, diferente da expectativa face a um político ou um assessor.


Devia haver um período de tempo exigido pela lei para que um assessor voltasse a exercer a função de jornalista. Grande parte dos órgãos de comunicação possui um tempo de quarentena estipulado para estes casos, no entanto, por questões éticas, cada jornalista deve estabelecer o seu próprio período de afastamento da actividade (período de quarentena é opcional).
Acima dos direitos do jornalista evocam-se os direitos de cidadania e nada impede a mobilidade do profissional, apenas a acumulação.
O lugar de assessor pressupõe muitas vezes confiança pessoal. O assessor depende diariamente da confiança do político o que torna a actividade muito precária – o actual assessor pode ser substituído a qualquer altura, baste que para isso se quebre esta confiança - isto coloca o assessor nas mãos do político. A precariedade é também outro factor que condiciona a actividade de assessor – são feitos contratos a recibos verdes.
O assessor de imprensa tem de fazer o que lhe é mandado, ainda que não coincida com aquilo que pensa, pois se não o fizer é despedido. O assessor está na mão do patrão.
No caso das empresas a situação é diferente. O empresário pode contratar a longo prazo e os assessores podem integrar os quadros. Não há o problema da precariedade – há uma garantia de trabalho.
A maior parte das empresas contrata em outsourcing (contratação externa de serviços) assessores de imprensa que trabalham em empresas de relações públicas - é muito mais vantajoso economicamente. A política não pode contratar em outsourcing, é obrigada a contratar individualmente.
Muitas vezes os interesses dos assessores não coincidem com os interesses dos jornalistas – são raras as vezes que o dono da mensagem e o jornalista partilham o mesmo objectivo.

Existem três formas do protagonista convencer o jornalista:

- O protagonista cria factos que são realmente notícia, ou seja, que têm valor mediático.
- A estratégia passa por criar determinadas situações que obrigam os jornalistas a não ignorar – a mensagem é forte e obriga o jornalista a aderir.
- Pela via financeira – corrupção. Há formas de seduzir os jornalistas: através de prendas, viagens, pagar para obter resultados directos – isto é corrupção, é crime.


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