17.1.06

Aula nº 10 - Assessoria de Imprensa sob o ponto de vista de Rafael Alves Rocha

No dia 9 de Janeiro de 2006 decorreu uma palestra no ISLA/ Gaia acerca de Assessoria de Imprensa. Esse evento foi organizado por duas alunas do 4º ano de Comunicação empresarial, Joana Sousa e Zélia Oliveira.
Rafael Alves Rocha, Director de Comunicação e Imagem da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) foi convidado para presidir a palestra e dar o seu ponto de vista acerca da actividade de assessor de imprensa.
Licenciado em Comunicação Social pela Universidade do Minho, Rafael Rocha, diz que há 8/10 anos atrás não existiam cadeiras especializadas na área de assessoria de imprensa. Por isso, só a experiência profissional lhe permitiu compreender a actividade.
O assessor da ANJE considera que hoje as universidades preparam melhor os alunos nessa área e que já existe um reconhecimento social da profissão “Há alguns anos atrás a actividade era vista de uma forma eticamente incorrecta”.
Rafael Rocha afirma que actualmente existe maior profissionalização e que um assessor de imprensa é um gestor de informação, uma fonte para o jornalista. Deixa, no entanto, clara a ideia que considera as Relações Públicas e a Assessoria de Imprensa disciplinas distintas. As Relações Públicas e a Assessoria de Imprensa não são disciplinas distintas – a Assessoria de Imprensa é uma forma de fazer Relações Públicas. E ambas são técnicas de Marketing.
Acrescenta ainda que no mundo global e competitivo do mercado existe a necessidade de comunicar cada vez melhor para dar a conhecer ao público a imagem da empresa.
O Portugal Fashion – projecto da ANJE com maior visibilidade - foi referido e serviu de exemplo durante toda a palestra.



Rafael Alves Rocha deu alguns exemplos acerca do que cabe fazer a um assessor de imprensa sublinhando a ideia de que a classe jornalística é o “público-alvo”:
- Comunicados de imprensa
- Seleccionar quais os jornalistas a convidar e confirmar a presença dos mesmos
- Preparar o material para distribuir aos jornalistas, entre outros.
O assessor da ANJE afirmou que o “amiguismo” deixou de ser o factor empregador de Assessores de Imprensa reforçando ao mesmo tempo a ideia de que estes não manipulam, não fazem lóbi e fazem chegar sempre a informação aos jornalistas com a maior transparência possível.
A manipulação existe e a prova disso é a inevitabilidade da mentira na assessoria de imprensa. Um assessor de imprensa não tem condições para não mentir quando é necessário – se não mentir está a ir contra os interesses do “patrão” e consequentemente é despedido. Isto não significa, no entanto, que a mentira seja algo sistemático.
O lobismo – exercer influência em favor de determinados interesses privados – é facilmente praticado. Arrisco a dizer que é praticado sempre que necessário.
Sendo que os jornalistas seleccionam dos imensos comunicados de imprensa que recebem apenas aqueles que interessam, torna-se importante que um press release seja construído de modo a despertar o interesse do jornalista – a forma como se escreve, aquilo que se destaca de determinada informação, tudo isto é importante e deve ser conjugado.
O clipping é muito importante nesta área, já que possibilita o acesso a todas as notícias que saem acerca de determinado projecto. Posteriormente, é feita pela empresa em questão, uma análise qualitativa do dossier de imprensa. Hoje não importa apenas a quantidade de informações que saíram nos media importa muito mais a qualidade. Ainda que só tenha existido 1% de notícias negativas é isto que é necessário estudar para resolver.

Rafael Rocha defende que um assessor de imprensa não deve fazer distinções entre os meios de comunicação e que devem ser mantidas relações a médio / longo prazo para não manchar a imagem no mercado de trabalho.
E se no início da conferência o assessor de imprensa da ANJE afirmava veementemente que os assessores de imprensa não manipulavam, confrontado com opiniões divergentes, admitiu que ninguém é imparcial mas que a intenção é uma relação de transparência e veracidade.
"Vou contar-vos a história dos passarinhos.
Defronte da minha casa de aldeia passam uns cabos dos telefones. Em grande parte do ano, quando o clima é mais ameno, um desses cabos é residência de dezenas de passarinhos.
Eles entretêm-se por ali, sossegados, horas a fio, praticamente sem se mexerem. De repente, sem que nos apercebamos de qualquer ruído ou de algum movimento, os passarinhos - todos os passarinhos, sem excepção - levantam voo num ápice e partem à procura de outro poiso, algures no horizonte.
Um destes dias, certamente numa ocasião de bucólico abandono, dei comigo a pensar que este comportamento dos passarinhos pode ser interpretado como uma parábola à pratica dos media. E que quem conseguir fazer com que os passarinhos, perdão os media, levantem voo na sua direcção é um bom assessor mediático. (...)
Comunicar com jornalistas é algo arriscado. Por isso, a primeira preocupação de um assessor mediático deve ser a de diminuir os riscos de cada acção. Mas, não comunicar com jornalistas é suicida. É deixar que sejam os outros (os adversários, os concorrentes) a definirem o nosso território de imagem. Por isso, a Assessoria de Imagem não pode viver sem a mediatização. O problema é que dificilmente podemos contar com ela. No fundo, no fundo, o que nós gostaríamos é que os passarinhos estivessem sempre pousados no cabo telefónico defronte da nossa casa. Mas...há muitos outros cabos telefónicos no horizonte. É a vida". ( Martins, Luís Paixão, Schiu...Está aqui um jornalista, Notícias Editorial, 1ª edição, Lisboa, 2001, p.p. 143, 144, 171)